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Ao meditarmos hoje um pouco sobre a passagem do Evangelho que acabamos de ouvir ler, vamos pensar que primeiro que tudo o evangelista que o escreveu é o discípulo querido de Jesus, o seu predileto (Jo 21,7), aquele que Jesus amava, o que durante a última ceia se inclinara sobre o Seu peito (Jo 21, 30). Assim, o atesta a passagem do seu evangelho no versículo 24 do capítulo 21. São João escreve o seu evangelho, já velhinho, cerca de 60 anos após a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, isto é, por volta do ano 90, quase de certeza, em Éfeso, hoje Turquia.

O seu evangelho tem um carater transcendente, teológico, sacramental, por um lado. Por outro, o pormenor detalhado dos usos e costumes palestinos, fazem-nos ter a certeza de ter sido uma testemunha ocular a escrevê-lo.

As suas narrações são muito vivas, adquirem sempre um certo dinamismo. Através do diálogo, ele quer que nós entremos na cena e descubramos um Jesus que está vivo. Por detrás das realidades que João nos apresenta há sempre algo de mais importante a descobrir – o Mistério. Ele convida-nos a ir “esgravatando” para o ir fazendo surgir.

A cena narrada no Evangelho deste domingo, não aparece em qualquer dos evangelhos sinópticos. É exclusiva de João. Ela tem um alcance profético. É já uma insinuação da Paixão – glorificadora do Senhor. Os gentios – os gregos – que sobem a Jerusalém para adorar a Deus, tem um valor significativo: anunciam a conversão das nações e preparam-nos já o anúncio de Jesus “ Eu, uma vez elevado da Terra, atrairei todos a Mim”. Anunciava já a Sua morte. A “Hora de Jesus” que nas Bodas de Caná ainda não chegara, vai-se manifestando progressivamente ao longo do evangelho de João. Será, ao mesmo tempo, de Paixão e de Glorificação. O grão de trigo que apodrece na terra e adquire uma vida nova, tem o simbolismo da morte-ressurreição.

Morte-Ressurreição de Jesus que, ao morrer por nós, nos dá a Salvação e a Vida.

Morte do homem para o pecado que, ao morrer para este, liberto das garras do mal, é já semente de ressurreição. Adquire o estatuto do “Homem-Novo” que, com uma nova força e dinamismo, vai ajudando a construir, já neste mundo, uma nova terra, a caminho dos “Céus e da Nova Terra prometida”.

A humanidade de Jesus está, nesta passagem do evangelho joanino, muito viva – “A minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai salva-Me desta hora?…”Como homem igual a nós,  ao ver aproximar-se a morte, Ele perturba-se …tem medo. Mas logo a confiança total: Pai, glorifica o Teu nome. Acima de tudo a vontade do Pai, a Sua glória.

Que o Senhor Jesus nos ajude a procurarmos sempre e em tudo a vontade de Deus, nosso Pai e a Sua glória.

Via Paróquia São Luís Faro

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21 de março de 2021 -5º Domingo da Quaresma – Ano B

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