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Mensagem de Dom Jeová Elias

Reflexão sobre o Evangelho do III Domingo de Páscoa (Lc 24, 35-48)

Dom Jeová Elias*

Meus queridos amigos e minhas queridas amigas, Que a paz do ressuscitado esteja no coração de vocês e de suas famílias. O Evangelho deste III domingo da Páscoa apresenta o relato da aparição de Jesus ressuscitado aos dois discípulos que retornam de Emaús e estão reunidos em comunidade, com os 11 apóstolos e outras pessoas.
É de suma importância, nos relatos da ressurreição e na caminhada de fé dos primeiros cristãos, a presença da comunidade: ela é a garantia de que Jesus ressuscitou, que isso não é uma fantasia ou uma alucinação de um discípulo desencantado com a morte e sonhador com a vida. Na ressurreição, conforme nos ensina São Paulo, está o fundamento da nossa fé, o motivo da nossa esperança, o incentivo e o encorajamento para viver o amor. Porque Jesus ressuscitou, nossa vida ganha sentido.
A ressurreição lança uma nova luz na história da humanidade: ilumina o passado, ajudando a compreender aquilo que era obscuro – o texto de hoje deixa claro que as coisas faladas por Jesus antes da sua morte e incompreendidas agora se tornam claras (v. 44-47); ilumina o presente, dando a certeza da vitória da vida sobre a morte; e também oferece a esperança de sermos vencedores no futuro, com Jesus ressuscitado, não somente no desfecho da história, mas no futuro que hoje vamos construindo com responsabilidade.
O texto do Evangelho de Lucas destaca alguns sentimentos que o grupo experimenta com a presença do ressuscitado. O primeiro sentimento é de susto e medo. Mas, à luz ressurreição e da vitória de Jesus Cristo, com a presença do Espírito Santo, esses sentimentos ficarão no passado, darão lugar à coragem, ao destemor e à certeza de que as perseguições e mortes que sofrerão não serão capazes de acabar com a vida plena trazida por Jesus Cristo.
Diante do sentimento de susto e de medo, Jesus oferece uma nova sensação: a de paz. Parece um refrão que se repete não somente nas aparições narradas no Evangelho de João, conforme ouvimos domingo passado, mas também no texto de hoje. Jesus ressuscitado põe-se no meio deles e lhes concede a paz: “a paz esteja com vocês” (v. 36). A paz que é o primeiro fruto do ressuscitado: da vida que vence a morte, da vitória sobre tudo aquilo que representa morte.

Outros sentimentos descritos no texto são de dúvidas e preocupações. A dúvida não pairou somente no coração de Tomé, conforme ouvimos no Evangelho de domingo passado. Como Tomé, também os discípulos no Evangelho de hoje são convidados a ver e a tocar as chagas de Jesus Cristo. Jesus se mostrã e diz: “vede minhãs mãos e meus pés: sou eu mesmo. Tocãi em mim e vede!” (v. 39). Ele não é um fãntãsmã, está vivo!
Jesus convida a que vejam e toquem suas chagas. Destaca aí dois sentidos importantes: a visão e o tato, para suscitarem a certeza. A visão não é subjetiva, de uma pessoa somente, todos estão ali e podem comprovar a presença de Jesus. O tato: quem quiser poderá tocar o corpo de Jesus para perceber que não é uma ilusão, que não é uma fantasia, mas que Ele está ali presente, vivo no meio deles. O ressuscitado é o mesmo crucificado; o vencedor ainda traz a marca do seu amor; um amor incompreendido, que sofre com a injustiça humana. O ressuscitado traz essas marcas em suas mãos, no seu lado, no seu coração: a marca de um amor mais forte do que a morte! Ele dá a certeza a esse grupo, cheio de dúvidas e preocupações, de que está vivo. Ilumina a inteligência deles, explicando as escrituras, para que compreendam a força do amor que vence todo tipo de morte.
Lucas destaca ainda o sentimento de alegria, como fruto da presença do ressuscitado, da certeza de que Jesus está vivo e caminha com o seu povo e de que a morte não o derrotou. Era tanta a alegria, que não parecia ser verdade a presença de Jesus vivo (v.41).
Meus queridos amigos e minhas queridas amigas, a fé na ressurreição nos compromete com a história. Não somente traz esperança ou espera passiva de uma eternidade feliz, de ressuscitarmos para o céu um dia, mas contém uma responsabilidade na construção da história cotidiana. Jesus disse: “vós sereis testemunhas de tudo isso” (v. 48): da vida que vence a morte, do perdão que vence o ódio, como fruto da conversão.
A certeza da ressurreição deve ajudar-nos a ter relações novas com as coisas, sem dominação, sem ganância, sem o desejo de acumular de modo desnecessário, sem a destruição voraz da natureza pela sede terrível de lucro; relações novas com as pessoas, vendo o outro como um irmão a ser amado e não como um inimigo a ser odiado e abatido. E, principalmente, relações novas com as pessoas mais fragilizadas, não as condenando, mas amando-as, ajudando-as e trabalhando para que tenham dignas condições de vida. E, por fim, relações novas com Deus, reconhecendo a sua paternidade, o seu amor e abandonando-se nas suas mãos.
Neste tempo sofrido de pandemia, desejo que a celebração da ressurreição de Jesus anime a sua caminhada e lhe dê forças para viver

os valores do Reino de Deus. Muitas vezes somos tentados a desanimar. Parece que a morte venceu, que a injustiça é a força mais poderosa e que o egoísmo se implanta com uma força arrebatadora na nossa história. Mas a ressurreição nos garante que é possível uma cultura de vida, que é possível ainda lutar, que não devemos perder a esperança, pois nosso Deus é o Deus da vida, promotor da vida e vencedor da morte.
Recebam o meu abraço fraterno e contem com as minhas preces.
Desça sobre você, sobre sua família e seus amigos, a bênção de Deus misericordioso: Pai, Filho e Espírito Santo.

*Bispo de Goiás-GO

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A ressurreição de Jesus ilumina toda a história

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