0 Flares 0 Flares ×

Pe. Geovane Saraiva*

No ano de 1988, no mesmo ano em que fui ordenado sacerdote por Dom Aloísio Cardeal Lorscheider, encontrava-me com o Padre Haroldo Bezerra Coelho, falecido em 2013, e outras pessoas, antes do início de uma celebração eucarística, em certo lugar. Naquela ocasião apareceu-nos uma pessoa com características e estereótipos, que revelavam ser ela homossexual, querendo cumprimentar aquele que tinha sido candidato a governador na eleição de 1986. Logo depois de cumprimentar o Pe. Haroldo, essa pessoa se afastou de nós, surgindo imediatamente um comentário, em forma de crítica, por um daqueles amigos, que conosco se encontrava, mas de um modo impiedoso e profundamente preconceituoso, recheado de intolerância, por causa da homossexualidade daquele irmão. Padre Haroldo, porém, reagiu com veemência; disso nunca me esqueço: “Meu irmão, olhe para ele como ser humano, seu irmão e companheiro na fé! Veja que ele carrega consigo a mesma dignidade sua: de filho de Deus”.
Pessoa alguma pede a homossexualidade para si, mas ela é uma realidade concreta na vida de muita gente. Daí nada de render graças a Deus por não contar com essa mesma realidade em seu contexto familiar, na diversidade do nosso complexo mundo, não se encontrando margem alguma para criticar pessoas homossexuais. Além de não contribuir, não é edificante ficar, convenhamos, quilômetros e quilômetros de distância, no sentido de vivenciar e de testemunhar o Evangelho proclamado pelo Filho amado do Pai; e também quando se percebem manifestações de comparações indiscriminadas, equivocadas e ambíguas.

Preconceito, intransigência e intolerância matam. Na direção daquele músico e poeta do “Trem das Onze”, Adoniran Barbosa, fico a parafraseá-lo: “Intolerância e preconceito matam mais do que bala de carabina / Que veneno estricnina / Que peixeira de baiano. / (…) Mata mais que atropelamento de automóvel / Mata mais que bala de revólver”. Somos desafiados a uma boa convivência com todas as pessoas do mundo, tendo como critério a caridade, mas longe de alimentar toda e qualquer tônica ou temática preconceituosa; só mesmo na busca daquela colossal e afável compassividade, que tem sua origem em Jesus de Nazaré.

Pensemos, pois, em Jesus de Nazaré, a nos dar o critério de nossa vida, o mandamento maior, pelo senso humanitário, na capacidade de dialogar e olhar as pessoas com postura íntegra, bondade de coração, desejo de pacifismo e justiça verdadeira. Lembre-se das palavras de Mahatma Gandhi: “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

0 Flares 0 Flares ×
A vida pede tolerância mútua

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*