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Nutricionista dá dicas de como economizar na compra do mês e nas refeições natalinas sem perder em qualidade nutricional

Julia Beck
Da redação

Alimentos muito consumidos pelos brasileiros, arroz e feijão podem ser substituídos por alimentos mais baratos, sem perder na qualidade nutricional, explica nutricionista/ Foto: Daniel Dan outsideclick por Pixabay

Após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice oficial da inflação do país – acelerar no mês de outubro, ficando em 0,86%, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta semana um novo aumento. Em novembro, a inflação avançou 0,89%. Segundo o IBGE, este é o maior resultado para um mês de novembro desde 2015.

O aumento na inflação impacta diretamente na vida e no bolso do brasileiro. Desta vez, o setor mais afetado foi o da alimentação e das bebidas, com um aumento nos valores dos produtos de 2,54%. Este fenômeno, de acordo com o economista Humberto Felipe da Silva, foi impactado diretamente pela pandemia da Covid-19, mas não a tem como único e principal fator.

“Há uma falta de capacidade dos governos de fazer o controle adequado da economia para impedir que a inflação assombre novamente a vida dos brasileiros”, apontou Humberto. Ele afirma que a maior preocupação no setor é que o aumento na inflação seja recorrente e não algo sazonal.

O economista recorda ainda a necessidade de reformas, como a administrativa, para reduzir o custo do Estado, e a tributária. E acrescenta que a ausência de reformas prejudica a economia e, consecutivamente, a inflação. “Sempre que se tem problema na economia, há um risco de também se ter na inflação”. 

Alta dos alimentos e possíveis substituições

A nutricionista Ana Carolina Vaz /Foto: Arquivo Pessoal – Ana Carolina

A nutricionista Ana Carolina Vaz destaca que, com a alta no preço dos alimentos, é possível fazer substituições  visando preço, sem perder no valor nutricional. O primeiro passo para realizar boas trocas na alimentação, de acordo com a profissional, é o conhecimento do guia alimentar da população brasileira.

O guia é gratuito e divide os alimentos em grupos, informando as quantidades corretas que devem ser ingeridas por dia. Ana Carolina esclarece que o conhecimento deste guia possibilita que os brasileiros compreendam que a cesta básica nem sempre tem uma qualidade nutricional legal. “Infelizmente, muitas cestas contém uma grande quantidade de alimentos ultraprocessados”.

“Quando consultamos esse guia, entendemos os grupos e compreendemos que, por exemplo, o arroz pode ser substituído por macarrão, batata, mandioca, inhame, farinha de mandioca – que tem um custo interessante. O feijão é uma das trocas mais baratas, pode ser trocado por feijão fava, lentilha, grão de bico”.

No caso das carnes, a nutricionista destaca que há várias possibilidades boas e baratas como a carne de aves, além de vísceras, miúdos, fígado, moelas e pé de galinha. Este último, segundo Ana Carolina, é um alimento rico em nutrientes.

Outra dica da nutricionista é para que o brasileiro repense o pedido de alimentos em restaurantes e outros estabelecimentos. “O valor desses pratos é alto e acaba dando o preço de uma alimentação preparada em casa, durante uma semana”. Aprender a fazer combinações que otimizem a qualidade nutricional das refeições é outra recomendação.

“Um prato interessante deve ser composto por 50% de folhas e legumes crus e cozidos – alface, couve, tomate, cenoura ralada. A batata pode ser cozida e substituir o arroz. No lugar da carne, pode ser colocado o ovo – uma omelete que vá tomate ou couve, por exemplo. O tomate quente libera uma substância ótima para a saúde”.

Um alerta é para o uso do óleo. A nutricionista recomenda uma mudança na forma de preparo dos alimentos. “Uma família de 4 pessoas deve consumir um óleo por mês”.

“Quando preparamos nossos alimentos temos um maior controle do que estamos consumindo e também do nosso bolso.  Conseguimos economizar mais. Um prato excelente de almoço que é a salada de alface, tomate, arroz, feijão e ovo cozido fica em torno de R$ 5,20. Se você for comer isso fora de casa, pagará muito mais caro ou se colocar legumes fora da época”.

Uma horta caseira é uma sugestão de economia e qualidade alimentar dada por Ana Carolina. “Em alguns lugares o alimento orgânico é mais caro, por isso é recomendado fazer uma horta em casa, até mesmo em apartamentos”.

Economizando com qualidade na ceia de Natal

Para a ceia de Natal, Ana Carolina recomenda a preparação dos doces, ao invés de comprá-los já prontos. “Fazer doces caseiros com frutas fica mais barato, e tem uma qualidade nutricional melhor. Doces caseiros têm muitos benefícios, além de ajudarem a diminuir gastos pelo uso de produtos mais naturais”.

Uma substituição recomendada pela nutricionista é a dos refrigerantes por águas aromatizadas ou sucos naturais. “Laranja e limão são mais baratos e são também frutas da época. Procurar sempre comprar frutas da época e de um produtor local, pois assim é possível comprar algo orgânico e de melhor qualidade, além de ajudar a economia local”.

Reaproveitar alimentos usados, como as cascas das frutas que podem ir na água aromatizada ou ajudar no preparo de alimentos é outra dica de Ana Carolina. “Esses alimentos também podem ser usados para decoração dos pratos natalinos”.

Para complementar a ceia de Natal com qualidade e economia, a nutricionista indica as saladas de folhas ou vinagrete. “São mais baratos e melhores do que a maionese”.

O sentido do Natal, destaca Ana Carolina, vai além da fartura da comida. “Não precisa ser uma festa atrelada só à comida. Precisamos lembrar o real significado e entender que isso remete a uma paz com a comida. Pessoas têm medo nessa época de ganhar muito peso, de prejudicar a saúde, então quando estamos em paz e temos uma boa relação com a comida compreendemos que esse dia tem um significado maior e que a comida não é o centro”.

A nutricionista incentiva também a substituição da fartura pela solidariedade. “Ao invés de uma ceia com uma grande quantidade de alimentos, que tal preparar um prato gostoso e nutritivo para quem mais precisa?”. Segundo Ana Carolina, esta atitude estará muito mais atrelada ao verdadeiro significado do Natal.

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Alta do preço dos alimentos impulsiona substituições na mesa do brasileiro

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