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Os votos do Papa Francisco são de que o nonagésimo aniversário de criação da Paróquia de Santa Ana no Vaticano “suscite um renovado compromisso com o testemunho evangélico”.

Tiziana Campisi – Cidade do Vaticano

00507_17032013.JPGOs votos do Papa Francisco são de que o nonagésimo aniversário de fundação da Paróquia de Santa Ana no Vaticano “suscite um renovado compromisso com o testemunho evangélico.”

Em breve mensagem enviada ao pároco, padre Bruno Silvestrini, o Pontífice também dirige seus pensamentos aos religiosos agostinianos que cuidam da paróquia, “aos colaboradores e à toda comunidade paroquial”, invocando “sobre cada um, a abundância dos dons do Espírito” e concedendo sua Bênção Apostólica.

A Santa Ana é conhecida por todos como a  “paróquia do Papa”, pois é a única dentro da Cidade do Estado do Vaticano com diversas atividades pastorais. Foi criada por Pio XI. Em 11 de fevereiro de 1929, os Pactos Lateranenses sancionaram o nascimento do Estado da Cidade do Vaticano. Em 30 de maio, o Papa Ratti também quis uma paróquia no território delimitado pelas Muralhas Leoninas, decidindo então que deveria ser a Igreja dos Palafreneiros, construída no século XVI.

Ecclesiam S. Annae na parca Vaticana Civitatis erigimus; ac praeterea mandamus ut templum ipsum baptismatis fonte instruatur, ibique paroeciales omnes perfunions, funebribus non excepis, posthac celebrentur” (No Estado do Vaticano erigimos a Igreja de Santa Ana como uma paróquia; e além disso, concedemos o mandato de que o mesmo templo seja dotado de uma pia batismal, e que no local se desenvolvam a partir de agora todas as celebrações de uma paróquia, sem excluir os ritos fúnebres): dispôs na Constituição Apostólica Ex Lateranensi pacto. O cuidado pastoral foi confiado aos religiosos agostinianos e em 7 de agosto do mesmo ano foi nomeado o primeiro pároco, Agostino Ruelli.

Já foi sede da Confraria dos Palafreneiros

Se por um lado a Paróquia Santa Ana completa 90 anos, sua história, por outro lado, tem ínício em 1565, ano em que o arquiteto Giacomo Barozzi, conhecido como “il Vignola”, iniciou o projeto em forma ovalada e em estilo renascentista.

Inaugurada em 1583, foi a sede da Confraria dos Palafreneiros pontifícios. Responsáveis pelos estábulos papais, também tinham a dignidade de notários, condes palatinos e nobres. Suprimidos os estábulos, em 1929 os Palafreneiros foram deslocados para o colégio dos liteireiros pontifícios.

Sua Santa Padroeira era Santa Ana, dentro da igreja representada nas pinturas do alemão Ignatius Stern, enquanto no altar-mor – feito com mármores policromos – no retábulo de Arturo Viligiardi de 1927 (Santa Ana e Nossa Senhora criança).

Na realidade, o altar deveria ter abrigado a “Nossa Senhora dos Palafreneiros” de Michelangelo Merisi da Caravaggio (atualmente conservada na Galeria Borghese, em Roma), encomendado pela Confraria ao artista em 31 de outubro de 1605. A tela retrata a Imaculada Conceição segundo Gênesis 3,15 : “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Mas o menino Jesus, demasiado crescido e nu, Nossa Senhora que, inclinando-se sobre ele, foi pensada como uma mulher comum que mostra seu peito, e sobretudo Santa Ana em segundo plano, retratada na velhice, com o rosto marcado por rugas e com uma atitude desinteressada e resignada, não agradaram.

Entre outras coisas a pintura, mostrando Maria no ato de esmagar a cabeça da serpente com o pé, junto a Jesus, poderia provocar conflitos entre católicos e protestantes, em uma interpretação diferente do Antigo Testamento sobre a Redenção. Assim, permanece por pouco tempo na Igreja de Santa Ana, e acaba sendo vendida para o cardeal Scipione Borghese.

Uma paróquia universal

Mesmo sendo uma paróquia com poucas almas, ou seja, os habitantes do Vaticano, Santa Ana é uma igreja aberta à universalidade. Situada logo na entrada de um dos portões do pequeno Estado – a Porta Santa Ana – e sendo o único lugar de oração dentro das paredes do Vaticano, onde o acesso é possível sem permissão, para lá dirigem-se para rezar peregrinos de várias nacionalidades, além dos milhares de turistas que entram apenas para admirá-la. Do exterior chegam muitos pedidos para celebrações de casamentos e batismos.

“A beleza desta paróquia é que ela reúne o mundo inteiro – explica o pároco, padre Bruno Silvestrini – é aberta a todos, não há fronteira entre o Estado italiano e o Estado do Vaticano e todas as pessoas tem o direito de pedir assistência espiritual, diálogo, apoio”. “Para aqueles que passam por dificuldades – acrescenta o sacerdote – sempre encontram aqui uma palavra de conforto”.

Recebem ajudas os indigentes, os imigrantes e os necessitados que se dirigem ao escritório paroquial, aqueles que moram nas proximidades dos muros do Vaticano empenhados em várias atividades, as pessoas de passagem têm a oportunidade de rezar e os sacerdotes e religiosos podem pedir para celebrar.

As portas da igreja são abertas todos os dias ao amanhecer para as celebrações litúrgicas e para os funcionários do Vaticano que querem começar o dia com a oração, antes de irem ao trabalho. Para aqueles que pedem o Sacramento da Reconciliação, há também uma capela destinada a este fim, que busca ser um lugar mais recolhido para a conversa com o sacerdote.

E depois há todas as atividades paroquiais ordinárias: a preparação das crianças para as Primeiras Comunhões, a dos jovens que se prepararam para a Crisma, os encontros de oração, as meditações de cardeais e bispos nos tempos fortes do Ano Litúrgico e aquelas para os celebrações especiais, as conferências das quartas-feiras culturais sobre temas bíblicos ou teológicos, sobre temáticas sociais ou de caráter ético ou histórico, e ainda as atividades das Mães Cristãs, o aconselhamento matrimonial, as iniciativas da Caritas, a coleta de fundos para as missões, a assistência aos pobres.

A hospitalidade e a amizade são oferecidas pela comunidade religiosa agostiniana, anexa à paróquia. “Na Santa Ana, não é somente o pároco que se colocar o serviço daqueles que vêm à paróquia – explica padre Bruno – somos em quatro e como religiosos agostinianos, fiéis ao carisma do bispo de Hipona, queremos estar próximos, com a espiritualidade que nos caracteriza, àqueles que vêm bater na porta da igreja”.

Os Papas e a Paróquia de Santa Ana

Pela Paróquia Santa Ana no Vaticano, passaram Pio XI – que quis estar presente na inauguração do órgão em 7 de fevereiro de 1931; João XXIII, que a visitou em 20 de janeiro de 1961; Paulo VI, que em 29 de maio de 1970, às 8 da manhã, quis comemorar o 50º aniversário de seu sacerdócio; João Paulo II, que a chamou de “minha paróquia” na homilia de 10 de dezembro de 1978; Bento XVI, que presidiu uma celebração em 5 de fevereiro de 2006, e Francisco, que a escolheu para sua primeira Missa pública, em 17 de março de 2013.

Precisamente para responder aos apelos do Papa Francisco, nasceram diversos grupos de oração e a paróquia se encarregou de pagar o aluguel e o uso dos apartamentos colocados à disposição pelo Esmoler Apostólico, o cardeal Konrad Krajewski, onde foram alojadas famílias de refugiados.

“Também já celebramos um batismo com o rito caldeu, de uma menina nascida em uma dessas famílias”, conta padre Bruno.

Assim, esta é a característica da Paróquia Santa Ana no Vaticano: uma paróquia universal, casa de Deus e de todos os homens; é a Paróquia dos Papas, igreja viva aberta ao mundo.

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As felicitações do Papa pelos 90 anos da Paróquia Santa Ana, do Vaticano

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