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Celebração acontece a 19 de junho, solenidade do Coração de Jesus

Cidade do Vaticano, 11 jun 2020 (Ecclesia) – A Congregação para o Clero (Santa Sé) lançou uma reflexão para o próximo Dia de Oração pela Santificação dos sacerdotes (19 de junho), alertando para um “défice de intimidade” na vida dos padres católicos.

“O que representa um alto potencial de risco na vida do padre é aquilo a que se chamou ‘défice de intimidade’. Todo o estado de vida, para ser integralmente abraçado e protegido de incursões ameaçadoras, deve cultivar uma especial ‘relação íntima’ que lhe valorize as possibilidades e lhe diminua os riscos: para um sacerdote, trata-se da amizade pessoal e quotidiana com o Senhor”, refere o texto, divulgado em Portugal pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.

O dia de oração pela santificação do clero é celebrado todos os anos na Solenidade do Coração de Jesus.

A celebração de 2020 tem como ponto de partida uma carta enviada a 4 de agosto de 2019 pelo Papa Francisco aos padres de todo o mundo, no 160.º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, padroeiro dos párocos católicos.

“Nos últimos tempos, pudemos ouvir mais claramente o clamor – muitas vezes silencioso e silenciado – de irmãos nossos, vítimas de abusos de poder, de consciência e sexuais por parte de ministros ordenados. Sem dúvida, é um período de sofrimento na vida das vítimas, que padeceram diferentes formas de abuso, e também para as suas famílias e para todo o Povo de Deus”, escreveu o pontífice.

Num texto com cerca de 10 páginas, o Papa destaca a importância da vocação sacerdotal, com gratidão e respeito pelos compromissos assumidos, “com Jesus e com o povo”.

“No âmbito psiquiátrico e psicoterapêutico acerca de alguns problemas de natureza moral e afetiva da vida dos padres, a vitalidade e o cuidado desta relação espiritual com Deus, juntamente com o desenvolvimento de uma boa maturidade humana e de sãs relações interpessoais, constitui o melhor ambiente para o cuidado do celibato sacerdotal e da espiritualidade presbiteral”, refere a nota do Congregação para o Clero.

O organismo da Santa Sé destaca que o “défice de intimidade não é senão a aridez da vida espiritual”.

“O padre que já não reza com fidelidade e que descura os elementos estruturantes da sua relação de intimidade com o Senhor acumula um ‘défice’ perigoso, que pode gerar sentimento de vazio, perceção de frustração e insatisfação, dificuldade na gestão da solidão, das necessidades e dos afetos”, pode ler-se.

A nota propõe cinco palavras para o Dia de Santificação do Clero, tiradas da carta do Papa Francisco: um coração agradecido, misericordioso, compassivo, vigilante e corajoso.

OC

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Dia de oração pelo clero adverte para «défice de intimidade» dos sacerdotes

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