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Jovens são exemplo de como se preocupar com o próximo e querer o bem-estar comum não dependem de classe social

A empatia e o senso de cidadania não têm prerrogativa de classe. Ambos partem de uma preocupação com algo maior, o bem comum.

Todos os dias temos vistos inúmeras cenas de brasileiros desrespeitando as normas de prevenção quanto à Covid-19, seja recusando-se a usarem máscara ou promovendo confraternizações. O que representa não só um risco a si próprio, como a todos os outros, tanto aqueles com quem o indivíduo convive quanto com os médicos que o atenderão caso precise dar entrada no hospital.

Já nas comunidades mais pobres, onde a palavra comunidade de fato contém um significado, vemos mais engajamento, senso de colaboração e cidadania. Não só na prevenção do vírus, em ações de guerrilha para conscientizar, distribuir máscara e álcool gel, como em medidas para aplacar os efeitos colaterais da pandemia, como a crise financeira e a fome.

Tenho a impressão de que, por viverem em comunidade, onde todos se ajudam em meio a dificuldades, o indivíduo desenvolve uma noção maior de coletivo do que aquele que vive encastelado entre muros e portões.   

Um bom exemplo disso – não de ação preventiva à Covid especificamente, mas de cidadania – é um pequeno caso que ocorreu nesta semana em Belford Roxo, na Baixada Carioca, e ganhou o noticiário nacional.

Os garis Cleinaldo Moreira de Souza Pires, de 24 anos, e Aroldo Henrique de Oliveira Pontes, de 35, cumpriam seu turno quando encontram um carnê escolar junto a duzentos reais em espécie em meio aos detritos.

Interessados em devolver o dinheiro a quem pertencia, eles foram até a escola que havia emitido o carnê. Pelo nome que estava impresso nos boletos, eles conseguiram com funcionários do colégio para fazer a devolução a Luzinete da Silva, diarista com renda de R$ 600. Ela tinha separado o dinheiro para pagar a mensalidade da filha e disse ter jogado no lixo sem querer.

Graças aos garis, a filha de Luzinete poderá ir à escola com a mensalidade em dia. Dois trabalhadores que ganham um salário mínimo (R$ 930) tiveram a oportunidade de levar vantagem, mas preferiram pensar no próximo, que tinha trabalhado por aquele dinheiro e contava com ele. 

Cleinaldo sonha em completar a obra em sua casa e Aroldo, em comprar uma motocicleta. Só que ambos preferiram continuar a uns dias a mais de trabalho de distância do que almejam pelo bem-estar comum.

Dois trabalhadores essenciais que estão na linha de frente do combate ao novo Coronavírus, se arriscando diariamente para manter sua cidade limpa durante a pandemia, e que ainda tiraram um tempo para fazer o bem e abrir mão de lucrar com o que não lhes pertencia. Um exemplo a ser enxergado por toda a sociedade, um exemplo de como agem cidadãos. 

Aleteia

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Garis da Baixada Fluminense dão aula de cidadania

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