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Vice-postuladora diz que processo «vai ser longo» e fala em «mulher incrível»,que ainda está por conhecer

Fátima, 13 fev 2020 (Ecclesia) – A irmã Lúcia, vidente de Fátima, faleceu há 15 anos, e caminha agora para a beatificação, num processo “longo” que exige “paciência” e rigor, como explica a vice-postuladora da causa de canonização.

“Eu estou muito tranquila, porque a fama de santidade é tão forte, tão intensa, que eu sei que isto é expressão do desejo de Deus de que esta mulher seja reconhecida, pela Igreja, pela fidelidade da sua vida. Mas com isto não me estou a antecipar ao juízo da própria Igreja”, disse à Agência ECCLESIA a irmã Ângela Coelho.

A religiosa disse que o trabalho se encontra numa fase “morosa e muito importante”, relativa à redação da ‘positio’, o relatório sobre a vivência heroica das virtudes da fé.

“Avança sempre mais devagar do que aquilo que nós gostaríamos e do que os devotos da Irmã Lúcia querem, mas é uma fase que precisa de ser pensada, rezada, amadurecida”, confessa.

A vice-postuladora fala da vidente de Fátima como “uma mulher incrível, com múltiplas facetas, com uma enorme profundidade de vida”.

“É uma senhora a quem o mundo entra”, apesar da clausura do Carmelo de Coimbra poder indiciar o contrário, tanto pela correspondência, com dezenas de milhares de cartas, como pelas várias visitas, incluindo a de 48 cardeais.

Em fevereiro de 2017, a igreja do Carmelo de Coimbra acolheu a sessão solene de clausura do inquérito diocesano para a canonização da Irmã Lúcia (1907-2005).

O processo implicou a análise de milhares de cartas e textos, além da auscultação de 61 testemunhas, resultando em mais de 15 páginas de documentação que seguiram para a Congregação das Causas dos Santos (Santa Sé).

“A equipa está muito entusiasmada, estamos apaixonados pela Lúcia”, indica a irmã Ângela Coelho.

A responsável mostra-se surpreendida com o “humor” da religiosa, a capacidade de “se rir de si mesmo”, que a irmã Lúcia usou “até para resolver conflitos”.

“Fiquei fascinada pela sua inteligência, tem uma capacidade de escrita extraordinária, tendo estudado tão pouco”, acrescenta.

“A Igreja não imagina o quanto somos devedores à fidelidade desta mulher” à missão que lhe confiada em 1917, ano das aparições na Cova da Iria.“É uma missão que exerce até ao final da sua vida, sempre foi a vidente de Fátima”, indica a vice-postuladora da causa de canonização.

Dois teólogos colaboram neste processo, num trabalho a que se soma a tradução dos volumes para italiano, pelo que a irmã Ângela Coelho não acredita que se possa encerrar esta fase em 2020.

“É um processo que vai ser longo”, aponta.

A religiosa pede “paciência” e que as pessoas sustentem este trabalho com “a oração” e com o seu contributo, dado que há custos financeiros associados.

O reconhecimento das “virtudes heroicas” é um passo central no processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, penúltima etapa para a declaração da santidade; para a beatificação, exige-se o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do venerável.

A irmã Ângela Coelho destaca a fama de santidade da Irmã Lúcia, “a voz do povo a dizer que esta mulher é santa”.

Lúcia Rosa dos Santos, a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, faleceu a 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos de idade, depois várias décadas vividas em clausura no Carmelo de Coimbra.

Este processo teve início em 2008, apenas três anos após a sua morte, tendo na altura o agora Papa emérito Bento XVI dispensado que se esperassem os habituais cinco anos.

Francisco e Jacinta Marto, os outros dois videntes de Fátima, foram canonizados pelo Papa Francisco, na Cova da Iria, a 13 de maio de 2017.

LS/OC

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Irmã Lúcia morreu há 15 anos e caminha para a beatificação

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