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As religiosas, que passam a vida inteira confinadas, mostram que resiliência, fé e pensamento positivo são o caminho nesse período de pandemia do novo coronavírus

A irmã Teresinha é a priora do Mosteiro Carmelo Santa Terezinha, das Irmãs Carmelitas Descalças da Bem- Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo
Foto: Bernadeth Vasconcelos

Ter a realidade modificada e viver em quarentena não é tarefa fácil. Com o mundo sofrendo uma pandemia de coronavírus, o isolamento social é uma dura realidade no mundo e as pessoas precisam adaptar sua vida cotidiana para lidar da melhor forma com o confinamento. Em Fortaleza, as Irmãs Carmelitas Descalças da Bem- Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, do Mosteiro Carmelo Santa Terezinha, têm uma vivência da vida religiosa na clausura, ou seja, sem contato com o mundo externo, e ensinam como enfrentar esse período da melhor forma.

Os exemplos de vida das religiosas podem inspirar as pessoas a entender a realidade na qual estão inseridas e superar o período de confinamento sem sofrer tanto. A priora (superiora do convento) Irmã Teresinha, mostra que é possível as pessoas passarem por este confinamento provisório e viver o período sem pensamentos negativos.”A primeira coisa que precisa ser feita é aceitar o momento, resiliência. Aceitar o momento que não pode ser mudado. Se você não aceitar, ele vai ser tornar muito pesado”, ensina.  

As irmãs, passam a vida toda confinadas, só deixando o Mosteiro em casos excepcionais, como uma ida ao médico ou doença de um familiar. O contato com outras pessoas é através do locutório, que são salas em que as irmãs, separadas por grades, atendem as pessoas para aconselhamento. 

Desafios

Nesse momento, os desafios em tempos de quarentena pelo coronavírus são diversos. Como  adaptar-se a nova realidade sem contato com as pessoas que mais amamos, como pais ou filhos, além do medo de contaminar a quem se ama a cada necessária saída de casa. E ainda que o isolamento seja algo passageiro, que pode durar meses no melhor dos prognósticos, nem todas as pessoas tem um psicológico ou saúde mental para lidar com tudo isso. Irmã Teresinha diz que o ideal é ocupar o tempo com alguma coisa, “pois a ociosidade é que vai perturbar”. “O nosso dia a dia é todo preenchido, a gente intercala o trabalho, com a oração, com o recreio, com a convivência. É diferente pra gente, pois estamos em uma clausura opcional, e isso nos dá uma sensação de liberdade. Não é a mesma coisa para as pessoas que foram obrigadas (a ficar confinadas)” 

A religiosa revela que também é necessário ser criativo. “Faça alguma coisa, conviva com a família, assista um filme, rezem juntos. Viva cada dia. Santa Terezinha ensina isso para gente. Viver o dia de hoje somente. Deixando que Deus cuide do resto do dia. Eu sei que é doloroso estar longe de familiares que não se pode ver. É para um bem maior, um bem comum”, afirma.

Irmã Teresinha alerta ainda que devemos cuidar da mente e evitar a negatividade e notícias falsas presentes, muitas vezes, nas redes sociais. “É necessário estar atualizado, mas às vezes as redes sociais colocam coisas que nem sempre são verdade. Notícias negativas só provocam a ansiedade. E a ansiedade pode deprimir, e mentalmente, pode ser um desastre”. 

Para finalizar, a priora cita o trecho de um livro de Santa Madre Tereza, enquanto meditava para inspirar as pessoas: “Ás vezes o passarinho se sente envolto às nuvens escuras e pensa que não existe mais nada além daquilo. Mas atrás daquelas nuvens, o astro rei, o Sol, brilha, e tarde ele vai enviar o raio da luz. Então, eu creio que tudo vai passar”.

Diário do Nordeste

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Irmãs carmelitas ensinam como viver melhor o período de isolamento por conta do coronavírus

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