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Padre Claudino Gomes explica que a «missão é alvo de grupos de manifestantes», em Butembo

Foto: Osservatore Romano

Cidade do Vaticano, 02 jun 2021 (Ecclesia) – O padre Claudino Gomes, missionário português Comboniano, alertou para a instabilidade na República Democrática do Congo, referindo que a missão católica “é alvo de grupos de manifestantes”.

“Temos receio de ser atacados a qualquer momento, estamos preocupados porque se trata de uma guerra ‘em pedaços’, que dizima milhares de pessoas e é quase ignorada pelos meios de comunicação e instituições que deveriam fazer-se ouvir mais”, relatou o sacerdote, citado pela edição semanal em português do jornal do Vaticano, ‘L’ Osservatore Romano’.

O missionário adiante que a “violência aumenta” no Kivu do Norte, leste do país, e a missão dos Combonianos, em Butembo – cidade com mais de dois milhões e meio de habitantes -, “é alvo de grupos de manifestantes, que desafiam cada vez mais a presença das tropas da ONU”.

“Estamos sempre aqui, permanecemos e vivemos com as pessoas que fomos enviados a servir, em nome de Jesus”, assinalou.

Segundo o religioso português, numa reunião de líderes de movimentos de base foi organizada uma “pilhagem” à casa onde estão alojados seis missionários e 19 seminaristas, porque os rebeldes pensavam que existiriam agentes das Nações Unidas com os Combonianos.

“Ainda somos um alvo, ouvimos pessoas que gritavam: ‘Wacomboni watoke’, que em suaíli significa ‘Combonianos, ide embora’”, acrescentou.

O padre Claudino Gomes contextualizou que a hostilidade contra a MONUSCO, a missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, é provocada pelas acusações de que nada está a ser feito para proteger a população contra a violência dos grupos armados na região.

“As últimas semanas foram de grande apreensão após as manifestações, especialmente de jovens e adolescentes contra os capacetes azuis das Nações Unidas, considerados não à altura do mandato, que às vezes degeneram em conflito e nalgumas vítimas”, referiu.

O missionário Comboniano português considerou que não é apenas a violência dos grupos locais e dos conflitos interétnicos entre os kumus, uma etnia hutu do Ruanda, e os nandes, etnia maioritária de origem ugandesa, que reforçam a instabilidade política e social na região.

As Forças Democráticas Aliadas (ADF), nascidas no vizinho Uganda e estabelecidas no leste do Congo em 1995, foram acusadas de ter assassinado mais de 800 civis, no Kivu do Norte e no Kivu do Sul, em 2020.

“Receamos que o ódio que circunda Goma se possa espalhar também aqui. A República Democrática do Congo é muito grande, mas ‘balcaniza-se’, e perde o controlo do território nacional”, advertiu.

A Comissão Permanente, do episcopado da República Democrática do Congo (CENCO), apelou à paz, para pôr fim aos conflitos armados que “causam morte, desolação e deslocação de populações, na esperança de obter uma grande mobilização para lutar contra as causas profundas desta insegurança”.

Neste contexto, refere o jornal do Vaticano ‘L’ Osservatore Romano’, os bispos identificam a violência dos grupos armados, que atuam para ocupar terras, a “exploração ilegal dos recursos naturais”, o enriquecimento injusto e a “islamização da região apesar da liberdade religiosa”.

CB/OC

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Jornal do Vaticano publica testemunho de missionário português, com alerta para guerra na República Democrática do Congo

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