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Mulher católica narra sua história de dor e como superou a tristeza da perda através do encontro com Deus

Em sua bondade, Deus me dá alegria e força para curar, sobreviver e amar

Em sua bondade, Deus me dá alegria e força para curar, sobreviver e amar (DDP / Unsplash)

Leticia Ochoa Adams*
NCR

Entrei na Igreja pela primeira vez quando fui batizada, ainda bebê. Fui criada no Texas por minha mãe solteira e nunca conheci meu pai. Quando criança, fui abusada sexualmente e durante minha adolescência, meu trauma foi agravado por temas religiosos que internalizei em minha casa hispano-americana. 

Sobre o sexo antes do casamento, sempre me disseram que era pecaminoso e, para a mente de uma jovem sobrevivente, isso significava que eu não era boa o suficiente para Deus. Afastei-me da minha fé e não voltaria a ela por mais de 20 anos.

Tempos depois, comecei namorar um homem católico e, com isso comecei a ter aulas de iniciação cristã para adultos, em 2009. Esperava fazer as aulas e receber o resto dos meus sacramentos sem nenhuma intenção de retornar verdadeiramente à Igreja. Até que conheci um homem chamado Noe Rocha, que me ajudou a entender que Deus me ama, sem se importar com os traumas pelos quais eu passei. Noe me ajudou a fortalecer meu relacionamento e a minha compreensão da Eucaristia.

Comecei a me envolver com a doutrina da Igreja e a lutar com a Teologia do Sofrimento dessa mesma Igreja que me acolhia novamente. Refleti com as palavras de Santo Agostinho: “Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e teu esplendor afugentou minha cegueira. Exalaste teu perfume, respirei-o, e suspiro por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama”. Compreendi que, embora minha vida nem sempre tenha sido alegre, mesmo em meio a esses momentos de desolação, Deus me amou, Deus caminhou comigo.

Suicídio

Meu filho Anthony nasceu quando eu tinha 17 anos. Amei-o desde o primeiro momento em que o vi. Ele era responsável, gentil e divertido. Anthony adorava andar de skate e dirigir seu mustang. Quando voltei para a Igreja, Anthony tinha 16 anos. Ele entendeu o ensino da Igreja e os princípios de nossa fé, mas quando tinha 20 anos, me disse que era ateu. Entrei em pânico e discuti com ele muitas vezes, tentando mudar sua mente.

Na manhã de seu suicídio, Anthony sentou-se em meu quarto e me disse que tudo o que lhe ensinara sobre o catolicismo era verdade e que agora queria voltar para a Igreja. Até hoje não sei se ele disse isso para que eu não me preocupasse, porque sabia o que estava planejando, ou se realmente acreditava nisso, mas optei por acreditar que Deus estava trabalhando dentro do meu filho, especialmente durante seus momentos finais e mais dolorosos.

Eu não consegui fazer uma opção por ser feliz depois que Anthony se suicidou. Eu escolhi a tristeza. Chorar e me recusar a disfarçar minha dor com clichês ou com a ideia de que Anthony estava em um “lugar melhor”. Voltei-me para os ensinamentos da Igreja sobre a morte, sobre o julgamento, sobre o céu e sobre o inferno. Decidi orar pela alma do meu filho. Então chorei.

Na escuridão do meu luto, como outros momentos trágicos que experimentei ao longo da minha vida, eu sabia que Deus estava chorando comigo. Por mais que ame o Anthony, sei que Deus o ama mais. Não preciso convencer a Deus de que Anthony é um bom menino, apesar de seu suicídio. Também não me preocupo que Deus tenha amaldiçoado a alma de meu filho, como muitos em nossa Igreja acreditam. Acredito que Deus pode salvar não apenas Anthony, mas a mim também.

Também fui abençoada por ter grandes padres que apareceram para mim e minha família desde o momento em que encontramos o corpo de Anthony. Tenho um time dos sonhos de padres, e cada um deles está à minha disposição de maneiras diferentes, mas todos eles me ajudaram a processar essa perda. Espero que mais e mais padres aprendam a se mostrar para as pessoas da mesma maneira que meus padres se mostraram para mim.

Mesmo na dor e na tristeza que viverei pelo resto da vida, Deus abriu meus olhos para os momentos de alegria da minha vida: as risadas de meus netos, meu marido e eu pagando dívidas, e nossa casa, incluindo a garagem onde Anthony morreu. Desde sua morte, este espaço é dedicado ao canto, à alegria e ao amor.

O que espero que as pessoas entendam com a minha história é como a Igreja Católica pode ajudar a apoiar famílias que perderam um ente querido por suicídio. Temos a Teologia do Sofrimento que está enraizada no amor, na verdade e na realidade. Não entendo como posso ter momentos de alegria depois que meu filho tirou a própria vida, mas tenho. Não entendo como podem acontecer no espaço onde ele morreu, mas acontecem.

Decidi ser católica e orar pela alma de Anthony e pela minha.

Em sua bondade, Deus me dá alegria e força para curar, sobreviver e amar.

*Leticia Ochoa Adams mora no Texas com seus filhos, netos e seu cachorro. Ela escreve e fala sobre luto, fé, perda por suicídio e maternidade. Você pode encontrar mais em seu site LeticiaOAdams.com.

Publicado originalmente em NCR.

National Cactholic Reporter

Traduzido por Ramón Lara

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Mãe se reconstrói do suicídio do filho a partir da fé

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