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A Igreja celebra neste dia a memoria de Nossa Senhora do Carmo, e louva à Santíssima Trindade pelo amor maternal que nos é dispensado por meio de Maria. Uma manifestação desse amor são as promessas que a Mãe de Deus quis ligar à imposição do escapulário da Ordem do Carmo.

1.     A proteção maternal de Nossa Senhora

 A inteira História da Salvação é a História do Amor misericordioso de Deus para com os seus filhos. O profeta Zacarias, na primeira leitura de hoje, anima os judeus recém-chegados da deportação de Babilónia com o desejo de reiniciar a sua vida em Jerusalém. Eram muitas as dificuldades que se lhes deparavam para poder reconstruir o templo, adaptar-se à nova vida e restaurar a cidade. Deus quis acender os corações dos seus filhos na esperança, e lhes promete que Ele habitará no meio do seu povo e que muitas nações hão de aderir ao Senhor. São palavras dirigidas a consolar e alegrar, o Povo eleito, perante as dificuldades de aqueles momentos, mas que apontam ao tempo messiânico da Nova Aliança. O texto de Zacarias cumpre-se em plenitude no novo Povo de Deus.

 Deus nunca abandona os seus filhos, e o seu Amor providente nos envolve com múltiplas expressões. Mas desde que as palavras iniciais de esta leitura, “Exulta e alegra-te filha de Sião”, foram pronunciadas, de novo, por S. Gabriel, Deus determinou que o seu Amor, a sua Graça, cheguem ate nos por Maria. Passados mais de quinhentos anos do anúncio de Zacarias, aquando da reconstrução do templo, a “filha de Sião” que será a Mãe do Redentor, escuta o anúncio que a irá tornar Mãe de Cristo e Nossa Mãe.

 A presença maternal de Nossa Senhora junto dos seus filhos, é a expressão permanente do Amor com que Deus cuida da sua Igreja. Mas, por vezes, esse Amor adquire manifestações extraordinárias como são determinadas intervenções e aparições, que a Igreja aprovou como revelações privadas.

 A festa que celebramos hoje prende-se com uma de essas manifestações da Mãe de Deus. Temos de recuar no tempo até o ano de 1251. A História conta que precisamente no dia 16 de Júlio, o Superior Geral da Ordem dos Carmelitas, S. Simão Stock, orava pedindo à Nossa Senhora que não desamparasse a sua Ordem. Nessa altura eram muitas as dificuldades e provações que se abatiam sobre eles, e Simão sabia bem que o caminho para as superar era Aquela a quem a comunidade estava consagrada. A Virgem Santíssima lhe apareceu, em quanto orava, no convento de Cambridge, trazendo nas mãos o Escapulário (peça que forma parte do hábito) carmelita. Com ternura maternal lhe dirigiu as seguintes palavras: “Recebe, filho queridíssimo, este Escapulário da tua Ordem (…). É um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, uma aliança de paz e de proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele não sofrerá o fogo do inferno”.

 Os Papas, desde então, confirmaram sempre que pode ser acreditada como certa esta promessa maternal de Nossa Senhora.

2.     O escapulário e a “vontade do Pai que está nos Céus”

Nosso Senhor, na passagem do Evangelho que acabamos de proclamar, indica claramente qual é o caminho para ser cristãos: “fazer a vontade do Pai que está nos Céus”. Só assim somos cristãos, de Cristo, e formamos parte da Sua família. Como bem sabemos, estas palavras se aplicam em grau máximo à Santíssima Virgem. Ela, sempre unida a Jesus, foi a criatura que de modo mais perfeito cumpriu a vontade do Pai. Por isso todas as intervenções da Providencia, por meio de Nossa Senhora, têm como fim encaminhar os seus filhos a uma plena adesão aos planos divinos. As palavras que dirige aos servos em Caná, “fazei tudo o que Ele vos disser” resumem o que de melhor deseja para eles e o objeto de todas as Suas intervenções.

A devoção do escapulário do Carmo, e o chamado privilégio sabatino a ela ligado, mais não são do que caminhos que conduzem à Cristo e à perfeita obediência ao Pai. Amar Nossa Senhora, manter viva a sua presença é com que escutar permanentemente aquele “fazei tudo o que Ele vos disser”, que ao mesmo tempo é um resumo da vida da Mãe de Deus.

 Assim, tudo o que nos aproxima de Maria aproxima-nos de Jesus Cristo, e seguir Jesus Cristo é cumprir, com a Sua graça, a vontade do Pai.

É verdade que o escapulário é só uma devoção piedosa que não é necessário viver para ser um bom cristão. Mas a devoção à Nossa Senhora e a identificação com Jesus Cristo e a Sua obediência ao Pai, sim são necessárias. E a devoção ao escapulário do Carmo é uma ajuda preciosa para incorporar na nossa vida esses elementos essenciais da vocação cristã. Além disso leva unidas promessas de abundante misericórdia. Mesmo assim, para nada serviria o escapulário, se a pessoa a quem foi imposto não procurasse viver em obediência ao que Deus lhe pedir. Esta devoção é simplesmente uma ajuda para caminhar agarrados pela mão de Nossa Senhora, em seguimento de Jesus Cristo.

Lembro agora um episódio que ouvi contar a um padre que foi superior de um seminário durante muitos anos. A esse seminário chegou um rapaz cheio de entusiasmo por ser padre, pois via claramente que era essa a vontade de Deus. Passado o tempo ficou gravemente doente, mas não quis sair do seminário, pois sabia que a vontade de Deus era que aí permanecesse. Tinha um grande amor a Deus, a Nossa Senhora, ao sacerdócio, e ao seminário. Acabou por morrer, e a sua última vontade foi ser enterrado no pátio que se via desde a janela do seu quarto. Assim fizeram. Algum tempo depois foi necessário realizar obras, e o caixão do antigo seminarista teve de ser trasladado para outro lugar. Quando abriram o caixão, só ficavam os ossos. Tudo tinha apodrecido. Mas encontraram duas coisas que permaneciam intactas, como no dia do enterramento: o colarinho da batina de seminarista e o escapulário do Carmo. O colarinho era de plástico, pelo que se compreende que não se degradasse, mas o escapulário era de lã, e só milagrosamente se tinha conservado intacto. O padre que estava presente, sendo ainda superior do seminário, teve a certeza de se tratar de um sinal de que a promessa feita a S. Simão Stock se tinha cumprido na pessoa de aquele bom rapaz.

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Nossa Senhora do Carmo

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