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Padre Geovane Saraiva*

O nosso tempo, dentro de um contexto incerto, com a humanidade a enfrentar a pandemia da Covid-19, quer uma profunda reflexão de todos nós, seguidores de Jesus de Nazaré, quando a vacina, aos poucos, passa a chegar, sendo acolhida alegremente pelas pessoas. Eis, pois, a humanidade inteira diante de um enorme e responsável desafio: o de buscar uma porta de saída ou mesmo uma janela, a apontar, evidentemente, indicadores de futuro ou caminhos de novo tempo, na teimosa realidade letal a envolver a todos.

 Às vezes, luta-se por uma mesma verdade a partir dos mais opostos e antagônicos caminhos. Aqui não, neste tempo de penitência quaresmal, na nossa caminhada para a Páscoa do Senhor, ficamos diante de um único caminho, proposto por Deus: o do Reino de Deus que está próximo (cf. Mc 1, 12-15). Urge, portanto, que sejam os nossos corações vacinados de todo mal, dentro de uma perspectiva esperançosa, iluminados pela fé do nosso Deus, nesse contexto abençoado, como um tempo de favoráveis graças celestiais, mas num olhar voltado ao ministério, muito além do pó ou das cinzas.

 A bênção das cinzas nos leva a pensar e a refletir fortemente neste tempo de pandemia: “Ó Deus, que vos deixais comover pelos que se humilham e vos reconciliais com os que reparam suas faltas, ouvi como um pai as nossas súplicas. Derramai a graça da vossa bênção, sobre os fiéis que vão receber estas cinzas, para que, prosseguindo na observância da Quaresma, possam celebrar de coração purificado o mistério pascal do vosso Filho. Por Cristo, nosso Senhor”.

Deus, no seu filho Jesus de Nazaré, convida todos a mergulharem no deserto, que não se trata de um lugar fisicamente árido, como no sertão do Ceará, e muito menos as serras do nosso Nordeste também não são as enormes e belas dunas de areia das nossas praias. Trata-se, sim, de uma dimensão existencial, na qual se deve fazer silêncio e escutar a palavra de Deus, na busca da verdadeira conversão, e que esta se realize dentro de nós (Papa Francisco).

Todos nós, com nossas aspirações humanas, buscamos o mistério da verdade, embora por diferentes caminhos e mesmo nos impasses e nas incertezas de como é possível e onde a encontrar. Que o Deus da montanha sagrada, aquele que vence o demônio com suas astúcias e seduções, nos faça compreender e vivenciar o nosso deserto existencial: o da nossa conversão do coração. Assim seja.

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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