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Padre Geovane Saraiva*

A Festa de Nossa Senhora do Carmo, celebrada no dia 16 de julho, elevou minha mente e meu coração, numa oração contemplativa, no desejo de caminhar rumo ao monte, aquele que ultrapassa todos os montes: Nosso Senhor Jesus Cristo. Lembrei-me de Elias, que não percebeu a presença de Deus, nem no furacão que quebrava os rochedos, nem no terremoto e nem tampouco no fogo, mas na voz calma e suave brisa (cf. 1Rs 19, 11-12), sem esquecer do profeta Eliseu, grande profeta em Israel, sucessor de Elias, também seu assistente, tendo visto seu guru ser arrebatado ao céu. O Livro Sagrado atesta inúmeros milagres por suas mãos, ao longo de sua vida de profeta.
O chamado de Eliseu, um humilde agricultor, deu-se quando ele trabalhava no campo, interceptado por Elias, que o chamou para ser seu sucessor. Eliseu foi para casa, avisou a seus pais e convidou o povo para uma refeição especial. Despediu-se daquela sua gente, no pronto seguimento aos apelos de Deus, auxiliando e assistindo a Elias, tornando-se, posteriormente, seu sucessor, em profunda vida de oração, contemplação e austeridade.
Veja quão estreita é a relação entre os dois homens de Deus, patrimônio nosso, dos cristãos! Quando Elias subiu ao céu, Eliseu insistiu em ficar com ele até ao fim (2Rs 2,1ss). O rio Jordão se abriu e, na energia milagrosa de Elias, eles o atravessaram. Elias perguntou a Eliseu se ele queria um favor seu. Veja seu desejo: herdeiro do seu espírito profético. Elias foi arrebatado, deixando seu manto. Eliseu pegou o manto de Elias e abriu o Jordão, da mesma maneira que Elias tinha feito. A partir de então, Eliseu assumiu o ministério de Elias como profeta.
A festa de Nossa Senhora do Carmo, supramencionada, simboliza para nós, cristãos, o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança. Foi no Monte Carmelo, lugar sagrado, onde o profeta Elias defendeu a fé do povo escolhido contra os pagãos. Os discípulos de Elias passaram a seguir Eliseu, depois que observaram que o espírito profético de Elias repousava sobre ele, na espiritualidade, que entrou com toda força em Santa Teresa d’Ávila (Santa Teresa de Jesus) e São João da Cruz, pelos séculos afora. Tal mística revelou-se como dom e graça para a Igreja. Que sejamos ajudados e convencidos do monte verdadeiro, do qual não podemos prescindir.
Pela oração à Nossa Senhora do Carmo, tenhamos uma consciência sempre maior do Monte Carmelo na sua plenitude:
“Ó Bendita e Imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo.
Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário.
Olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção.
Fortificai minha fraqueza com vosso poder.
Iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria.
Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade.
Ornai minha alma com as graças e as virtudes que a torne agradável ao vosso divino Filho.
Assisti-me durante a vida.
Consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado e lá no céu eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda eternidade. Amém.”
*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza geovanesaraiva@gmail.com
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O esplendor do Carmelo

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