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Uma dúvida tem sido levantada nas redes sociais: o terceiro segredo de Fátima foi totalmente revelado?

Recebemos de amigos, há alguns dias, uma dúvida que tem sido levantada nas redes sociais: o terceiro segredo de Fátima foi totalmente revelado?

Este artigo e o seguinte respondem que sim e para isso oferecem importantes argumentos.

Comecemos por uma retrospectiva. Os três pastorinhos de Fátima – Lúcia, Francisco e Jacinta – foram agraciados com as mensagens de Nossa Senhora, de maio a outubro de 1917. Nessas visões, surgem três segredos (ou, segundo alguns estudiosos, um segredo em três partes).

O primeiro deles se refere à visão que as crianças tiveram do inferno; o segundo à situação da Rússia comunista, que espalharia seus erros pelo mundo todo, caso os homens não se voltassem para Deus pela oração e penitência.

Quanto ao terceiro, segundo Irmã Lúcia, não deveria ser revelado antes de 1960. Ao ser indagada sobre a razão da data, a religiosa respondia sempre: “A Santíssima Virgem o quer assim”.

Na realidade, porém, décadas depois, afirmou que não foi Nossa Senhora quem deu a data, mas ela própria (Ir. Lúcia), pois julgava que após aquela data ele seria melhor compreendido (cf. Pergunte e Responderemos n. 461, outubro de 2000, p. 438).

Ocorre que os anos se passaram e os Papas (João XXIII, Paulo VI e João Paulo I) não se interessaram em trazer a público a terceira parte do segredo, o que fez correr rios de tinta com interpretações diversas e até atemorizantes.

Eis, porém, que o Papa João Paulo II pediu sua publicação, em 13 de maio de 2000, ficando encarregados dessa grande tarefa – incluindo a análise e a divulgação com embasamento histórico-teológico – os Cardeais Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) e Tarcisio Bertone (futuro secretário de Estado de Bento XVI e do início de pontificado do Papa Francisco).

Pois bem, que diz, então, o terceiro segredo de Fátima? – Ele traz, em suma, em estilo simbolista, como centro, ao lado do insistente pedido de penitência feito por um anjo de espada de fogo na mão esquerda, a visão de um Bispo vestido de branco (daí ser interpretado como sendo o Papa).

Este, após passar rezando por uma cidade em ruínas, chegou ao topo de uma montanha onde havia uma cruz e aí foi morto por vários soldados que lhe disparavam tiros e setas. Depois do Bispo de branco, vários outros clérigos e leigos também foram exterminados… Nos braços da cruz, dois anjos recolhiam o sangue dos mártires e regavam com ele as almas que se aproximavam de Deus.

Dado o caráter simbólico e obscuro da narração do terceiro segredo, o Santo Padre João Paulo II enviou, para falar com Ir. Lúcia, Dom Tarcisio Bertone. Este lhe apresentou a interpretação que os teólogos fizeram de sua visão, ou seja, que suas narrativas dizem respeito aos embates do comunismo ateu contra a Igreja, causando muitas vítimas no século XX e ela aceitou.

A religiosa também concordou que o Bispo de branco era mesmo o Papa, só não sabia qual deles, porém acolheu a interpretação segundo a qual uma mão maternal – a da Virgem Maria – desviou o trajeto da bala que poderia ter assassinado o Papa João Paulo II no atentado de 13 de maio de 1981 (cf. idem, p. 436-437).

Isso posto, o então Cardeal Ratzinger disse: “Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral, que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece – dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do segredo – é a exortação à oração como caminho para a salvação das almas, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão” (ibidem, p. 442-443).

À última parte deste segredo e o que sobre ele continua a se dizer dedicaremos o próximo artigo a fim de tentar melhor esclarecer a quem ainda se sinta perplexo. 

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Os três segredos de Fátima: breve exposição

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