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Na Audiência Geral desta quarta-feira, 12, realizada no Pátio São Dâmaso com a presença de alguns fiéis, o Santo Padre continuou seu ciclo de catequeses sobre a oração recordando  que rezar não é fácil, é um verdadeiro combate no qual podemos sempre contar com a presença de Jesus que muitas vezes silencia mas jamais nos abandona.

No início do evento, o papa expressou sua satisfação “em retomar estes encontros face a face” com os peregrinos e disse aos presentes: “digo-lhes uma coisa: não é bom falar diante do nada, diante de uma câmera. Encontrar as pessoas, encontrar vocês, cada um com sua história, ver cada um de vocês, para mim é uma alegria”.

“Obrigado por sua presença e por sua visita. Levem a mensagem do Papa a todos. A mensagem do Papa é que rezo por todos, e peço que rezem por mim unidos em oração”, afirmou o papa aos grupo de fiéis reunidos no pátio São Dâmaso.

O Santo Padre iniciou sua catequese que teve como tema “o combate da oração” afirmando que “a oração cristã, como toda a vida cristã, não é um “passeio”.

“Nenhum dos grandes orantes que encontramos na Bíblia e na história da Igrejateve uma oração “confortável”. Sim, é possível rezar como papagaios, mas isso não é oração. Certamente ela concede uma grande paz, mas através de uma luta interior, por vezes dura, que pode acompanhar até longos períodos da vida. Rezar não é algo fácil”, pontuou.

“Cada vez que a queremos fazer, de repente lembramos de outras atividades, que naquele momento parecem mais importantes e mais urgentes. Isso acontece também comigo!”

O papa disse ainda que “quase sempre, depois de termos adiado a oração, percebemos que aquelas coisas não eram absolutamente essenciais, e que talvez tenhamos desperdiçado tempo. O inimigo nos engana deste modo. Quem quiser rezar deve lembrar-se de que a fé não é fácil, e por vezes procede na quase total obscuridade, sem pontos de referência”.

“O Catecismo– prosseguiu- enumera uma longa lista de inimigos da oração (cf. nn. 2726-2728). Alguns duvidam que a oração possa realmente alcançar o Todo-Poderoso: por que permanece Deus em silêncio? Perante a intangibilidade do divino, outros suspeitam que a oração é uma mera operação psicológica; algo que pode ser útil, mas que não é verdadeiro nem necessário: poder-se-ia até ser praticante sem ser crente”.

“Contudo, os piores inimigos da oração estão dentro de nós. O Catecismo chama-os assim: «desânimo na aridez, tristeza por não dar tudo ao Senhor, porque temos “muitos bens”, decepção por não sermos atendidos segundo a nossa própria vontade, o nosso orgulho ferido que se endurece perante a nossa indignidade de pecadores, alergia à gratuitidade da oração» (n. 2728). Trata-se claramente de uma lista sumária, que poderia ser aumentada”, afirmou o Santo Padre.

“O que fazer no tempo da tentação, quando tudo parece vacilar? Se olharmos para a história da espiritualidade, vemos imediatamente que os mestres da alma foram muito claros sobre a situação que descrevemos”, disse o papa, citando, por exemplo, os Exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, um livro de grande sabedoria, que ensina como pôr a vida em ordem.

“Nos tempos de provação é bom lembrar que não estamos sozinhos, que alguém olha para nós e nos protege. Até Santo Antônio Abade, fundador do monaquismo cristão, enfrentou momentos terríveis no Egito, quando a oração se tornou uma dura luta. O seu biógrafo Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, narra que um dos piores episódios aconteceu ao Santo eremita por volta dos trinta e cinco anos, a meia- idade que para muitas pessoas comporta uma crise. Antônio ficou perturbado com aquela provação, mas resistiu. Quando finalmente voltou a sentir-se sereno, dirigiu-se ao seu Senhor com um tom quase de reprovação: «Onde estavas? Por que não vieste imediatamente para pôr fim aos meus sofrimentos?». E Jesus respondeu: «Antônio, eu estava lá. Mas esperava para te ver combater», recordou o Papa Francisco .

“Combater na oração. Muitas vezes a oração é um combate”, frisou o pontífice.

Em seguida, o Pontífice contou uma experiência de fé que presenciou numa diocese na Argentina.

Tratava-se de um casal tinha uma filha doente por causa de uma infecção. Segundo os médicos, a menina morreria ainda naquela noite. O homem, que era um operário talvez não frequentasse a missa todos os domingos, mas tinha uma grande fé. Ele saiu do hospital chorando. Pegou o trem e viajou 70 km e foi à Basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Quando chegou, a Basílica estava fechada e ele se agarra às grades do portão. Rezou e combateu a noite inteira e, de manhã, ele entrou para saudar Nossa Senhora.

“Quando chegou de volta, procurou sua esposa, mas não a encontrou e pensou: “a menina se foi”. Não, Nossa Senhora não pode fazer isso comigo”. Então ele a encontrou, sorrindo e dizendo: “Eu não sei o que aconteceu; os médicos dizem que tudo mudou e que ela agora está curada”. Aquele homem que lutava com a oração obteve a graça de Nossa Senhora. Nossa Senhora o escutou. E eu vi aquilo: a oração faz milagres, porque a oração vai direto ao coração da ternura de Deus que nos ama como um pai. E quando Ele não nos der uma graça, Ele nos dará outra que veremos a seu tempo. Mas é sempre preciso lutar em oração para pedir graça”, ensinou.

“Sim, às vezes pedimos uma graça que precisamos, mas a pedimos assim, sem querer, sem lutar, mas não é assim que se pede coisas sérias. A oração é uma batalha e o Senhor está sempre conosco”, asseverou o papa.

“Jesus está sempre conosco: se num momento de cegueira não conseguirmos vislumbrar a sua presença, conseguiremos no futuro. Também nós um dia poderemos repetir a frase que o patriarca Jacó disse certa vez: «Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!» (Gn 28, 16). No final da nossa vida, olhando para trás, também nós poderemos dizer: “Pensava que estava sozinho, mas não, não estava: Jesus estava comigo”, concluiu.

Após a catequese, o Papa Francisco saudou os peregrinos em várias línguas, dirigindo uma palavra especial aos que vieram da Polônia, país onde nasceu São João Paulo II, recordando que nesta quinta-feira, 13, a Igreja celebra a memória litúrgica de Nossa Senhora de Fátima e o 40º aniversário do atentado contra a vida do papa Wojtyla na Praça de São Pedro. O papa João Paulo II escapou milagrosamente da morte e perdoou Ali Agca, o homem que tentou mata-lo. O papa peregrino afirmou dias depois que Nossa Senhora de Fátima o havia livrado da morte e, apenas recuperou-se, peregrinou ao Santuário mariano português para agradecer.

São João Paulo II, disse o pontífice, “sublinhou com convicção que devia a sua vida à Senhora de Fátima. Este acontecimento nos dá a consciência de que a nossa vida e a história do mundo estão nas mãos de Deus”.

“Ao Imaculado Coração de Maria confiamos a Igreja, nós mesmos e o mundo inteiro. Rezemos pela paz, pelo fim da pandemia, pelo espírito de penitência e pela nossa conversão”, pediu o Santo Padre.

Aos fiéis de língua portuguesa o Papa Francisco se dirigiu com as seguintes palavras:

“Saúdo cordialmente os fiéis de língua portuguesa. Amanhã lembramos com grande veneração Nossa Senhora de Fátima. Coloquemo-nos com confiança sob a Sua maternal proteção, especialmente quando encontramos dificuldades na nossa vida de oração. Que Deus vos abençoe!”

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Papa Francisco na audiência geral: A oração não é um passeio, é um combate

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