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Pé. Geovane Saraiva*
O dom da supremacia de Cristo, que, tendo morrido e ressuscitado pela redenção dos homens, encontra sua prova indizível e inexprimível, do ponto de vista da fé, na sua descida sobre os apóstolos, na tarde do domingo da Ressurreição. A subida do filho de Deus aos céus, com a promessa de estar contíguo ao Pai, tem um olhar imorredouro para a humanidade, enquanto esta se dispõe a caminhar, na esperança, rumo à eternidade, mas sem hesitar nem se atenuar em complacências. Eis, pois, o grande desafio, o da presença de Deus, numa íntima mística sem medida, ou excessiva, a ponto de confundi-la com a própria intimidade divina, afastando qualquer dúvida: “Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria” (Jo 16, 20).

Essa intimidade é o alento, ou sopro, oriundo do Espírito Santo de Deus, considerando seu impulso vital e fecundo, enquanto temível e misterioso, ao expressar o braço de Deus, como nos assegura o Livro Sagrado (cf. Is 40, 15). Fenômeno inusitado e deslumbrante, sim, seja no envolvimento da criatura humana, seja no envolvimento do mundo e da natureza, nas manifestações ao longo dos tempos, com especial poder, atribuído ao sopro do Espírito Santo, que quer nos ensinar que fomos criados para Deus e que nossa vocação ou destino é o céu, na meritória frase de Santo Agostinho: “Criaste-nos para vós e o nosso coração está inquieto até que repouse em vós”.

O mistério pascal tem seu cume, convenhamos, na ressurreição e na ascensão do Senhor, mas também em pentecostes, como ato convincente e irrefutavelmente conclusivo ao insondável mistério de amor. Quem é aquele que sobe? É o mesmo que desceu e desce. Ele desce, cumprindo a vontade divina, para curar o homem, na sua clemente complacência e inteira indulgência; subiu, para exaltar sublimemente e dignificar a criatura humana. Se ele tivesse sido elevado por si próprio, teria caído em ruínas, mas, como foi o próprio Deus que o elevou no seu mistério incontroverso e inatacável, permanece seguro, imutável e inalterável. Na sua ressurreição, de modo consistente, temos a nossa esperança; já na sua ascensão, estando Jesus à direita do Pai, temos nossa segurança definitiva e duradoura, refúgio da humanidade em todos os tempos (cf. Santo Agostinho).

Depois da morte de Jesus de Nazaré, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade de Jerusalém, visível em línguas de fogo; todos ficaram cheios daquele mesmo Espírito, que veio do alto e que pelo Pai foi derramado como dom sobrenatural, que, em circunstâncias esplêndidas, quer intervir para realizar milagres no mundo das pessoas. É o Espírito de Deus, com seu sopro de vida, que tudo realiza e deixa sua marca, com rastros de bondade, sendo tudo voltado para o bem, porque o Espírito de Deus é bom. Não devemos esquecer de que as pessoas são chamadas por Deus de uma maneira diferente, numa ação livre, com resposta amorosa e afavelmente terna; do contrário, a vida perde seu verdadeiro sentido. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Fotos: Pe. Geovane Saraiva/sertão de Canindé-CE.
(CE 065 – Serra do Baturité). Fotografias na ladeira de Canindé/Aratuba-CE.
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Pentecostes: o sopro de vida

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