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Capa de livro de Horácio DídimoHorácio Dídimo não traçou muitas linhas em seus últimos meses de vida. Acometido por um leve quadro de demência, acabou afastado do que tanto lhe dava prazer. Quando morreu, em setembro de 2018, aos 83 anos, o escritor cearense deixou um legado de décadas de vida dedicadas à literatura, às letras, à docência e à arte, e uma importante herança para a literatura cearense com uma vasta obra, especialmente para o público infantil. Foram livros publicados a perder a conta. Por estas e outras razões, desde a última semana, tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que cria o Dia Estadual da Literatura Infantil. A proposta, de autoria do deputado Renato Roseno (Psol), é celebrar a data no aniversário de Horácio Dídimo – comemorado no dia 23 de março.

A proposta vai seguir para as comissões responsáveis e depois será encaminhado para o plenário. Caso o projeto de lei ganhe adesão, além do Dia Nacional do Livro Infantil – celebrado amanhã, 18 de abril – o Ceará vai ganhar mais um momento para lembrar a importância da literatura infantil. Celebrações como essas, acredita a escritora Marília Lovatel, são importantes porque jogam luz e abrem oportunidades para que se fale sobre o tema. Ela lembra que março é um mês dedicado a poesia e aos poetas – “junta o poeta, o escritor infantil e o mês que é dedicado à poesia”, celebra Marília. “Horácio Dídimo nos deixou uma obra maravilhosa e com uma linguagem muito terna. De uma simplicidade e ao mesmo tempo com uma inteligência grande. Não é simplista. Não é rasa a poesia dele. Mas ele consegue construir os textos com a profundidade necessária e com uma linguagem que abraça as crianças”, acredita Marília, que também é autora de livros infantis.

Luciano Dídimo, escritor e filho de Horácio, explica que após a morte do pai encontrou um bom acervo com textos prontos e inéditos – alguns deles cedidos em primeira mão para publicação no Vida&Arte, em outubro do ano passado. Entre os achados infantis, os principais são Os compadres bichos, que está em processo para publicação pela Editora Dummar, e Da onça e do macaco. Dois textos inéditos também foram disponibilizados para publicação nessa página (ao lado). Das memórias de infância, Luciano lembra da variedade de livros infantis sempre disponíveis em casa. Como criador da disciplina de Literatura Infantil no curso de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), Horácio Dídimo sempre manteve uma biblioteca atualizada com títulos novos e obras clássicas. “Ele comprava para estudar os personagens e eu lia também”, finaliza Luciano.

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O RABO DA ONÇA

A onça anda sempre

Cheia de trapaça

Mas quando vê o macaco

Perde toda a graça

O doutor macaco

Não falta ao trabalho

No mais alto galho

Do seu consultório

Mas quando vê a onça

Passando por baixo

Sempre dá um jeito

De dar um balanço

Só para puxar

O rabo da onça

O SEGREDO DA ONÇA

Era uma onça mansinha

Que acenava

Disfarçando com luvas delicadas

Suas afiadas garras.

O rei apaixonado

Entoou do alto do seu trono

Uma canção de amor

Somente o macaco 
pós-doutor

Do alto do seu 
galho-consultório

Desconfiou

COMADRE ONÇA

Comadre onça
Fala demais
No celular

Fica zangada
Liga a matraca
Para insultar

Vem pelo fio
Não corre o risco
De abocanhar

Mas onça é onça
E ninguém deve
Facilitar 

ISABEL COSTA

O POVO

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Principal nome da literatura feita para crianças no Ceará, Horácio Dídimo, morto em 2018, pode ser homenageado em Dia Estadual da Literatura Infantil

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