| Nascido para as coisas maiores,
possuidor de uma força incansável, com muita alegria e esperança
no coração, totalmente convertido a uma grande tarefa de
construir Reino, a utopia mais bela e maravilhosa, Dom Helder não
se acostumou e não achau normal e natural a miséria, porque
ela fere o rosto de Deus e contraria sua vontade. Decide com muita obstinação
e a ternura do “bom pastor”, levantar firmemente a voz e lutar,
com o desejo derrotá-la.
Dom Helder, no tempo de formação em Fortaleza, no Seminário
da Prainha, passa a viver essa realidade dramática: “Não
pode haver capital sem trabalho nem trabalho sem capital”. Certamente
é o início da sua grande aventura, de abraçar aquilo
que o destino lhe prepara: “a coragem que o conduziu ao que é
mais elevado, as coisas maiores”, como expressa tão bem o
latim: “Ad maiora nati sumus”.
Coincidência ou não, foi ordenado sacerdote em 1931, ano
da comemoração dos quarenta anos da Rerum Novarum, com o
Papa Pio XI lançado a Encíclica “Quadragésimo
Ano”, apontando para a reconstrução da ordem social
e ao mesmo tempo denunciando os efeitos da concentração
do poder econômico sobre a grande massa de trabalhadores. É
um grito, é um clamor em favor dos operários e pela justa
distribuição da riqueza segundo as exigências do Evangelho,
do bem comum e da justiça social. |