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Padre Geovane Saraiva*

No tempo litúrgico da Quaresma ficamos diante da história da salvação, do pecado da humanidade em Adão e da redenção dessa mesma humanidade, dom de Deus, no Filho Jesus; somos convidados a pensar na criatura humana, obra das mãos de Deus, pura e íntegra, modelada à sua imagem e semelhança (cf. Gn 2, 7-9). Neste tempo sagrado e abençoado da Quaresma (dias, noites e mesmo anos), numa forte simbologia, Deus quer se revelar e se manifestar, com sua afável presença, repleta de graças especiais, na vida e no mundo dos seres humanos.

Deus quer dizer-nos que é necessário mais e mais convencermo-nos de que, quanto mais se ama, mais se aproxima de seus sinais salvíficos, no grande milagre do amor verdadeiro, daquele sem medida, em que não temeu coisa alguma, no que o apóstolo Paulo denominou “loucura”, pela entrega e doação do Filho, a vítima perfeita, no seu sentido mais sublime e redentor. Deus nos convida a contemplar sua face terna e compassiva, ao mesmo tempo em que nos chama para entrarmos na lógica do amor de seu Filho, prosseguimento de nossa caminhada rumo à eternidade.

Quaresma é o tempo apropriado para exercitar nossa fé e esperança, mergulhando na oração, participando da sabedoria que vem do alto. Deus nos concede graças, neste tempo favorável, para se compreender a dor e o sofrimento das pessoas e do mundo, mesmo porque sempre achamos que, da nossa parte, a contribuição foi feita. Não nos esqueçamos, porém, do espírito do Maligno a nos espreitar em armadilhas, presenteando-nos com o alimento dos frutos da ciência do bem e do mal, vivamente presentes, quando não se percebe o sofrimento humano, sempre cada vez mais visível, decorrente da ausência de gestos concretos, pelo choro do sofrimento de uma criança, nas famílias que se destrói e nos irmãos e irmãs que não descobrem o verdadeiro caminho da vida.

Fica patente o aviso de Deus, no chamado de todos a um compromisso, não nos esquecendo do dom da vida, na sua justa e devida valorização, na simplicidade e humildade de coração, sem jamais nos afastarmos da sabedoria encarnada do Pai, tesouro do amor maior. A vontade divina vem ao nosso encontro nesta Quaresma, na ruptura da indiferença, numa Igreja que se compromete com o dom da vida, que quer enxergar, de verdade, o sofrimento dos semelhantes, que quer ser mais humana e mais humanizada. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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Quaresma: aviso divino

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