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A dispersão, a desunião, a desarmonia, a fragmentação, sempre foram na Bíblia sinal do pecado. Logo no pecado original encontramos o fosso cavado Adão e Eva e Deus, que os leva a esconderem-se de Deus e a resguardarem-se um do outro pela consciência da nudez. Como consequência da soberba dos homens expressa na torre de Babel, aparece-nos a dispersão da humanidade por línguas ininteligíveis umas às outras.

O pecado dos pastores do povo de Deus, os reis e os sacerdotes, a sua infidelidade à Aliança e aos mandamentos, levam-nos a realizarem exatamente o sinal contrário do pastor pelas injustiças que provocam, dispersão em vez de reunirem. É disso que Deus acusa os pastores de Israel através do profeta Jeremias.

Se assim é, Deus vem salvar-nos realizando a obra própria dum pastor verdadeiro, isto é, aquele que tem “compaixão” das ovelhas dispersas e reúne a todas num só rebanho onde todas se acolhem. É nessa figura que Jesus se nos apresenta: Jesus salva-nos reunindo-nos para nos alimentar e proteger.

O acto máximo de Cristo bom pastor é a Sua morte na cruz: “o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. Dá a vida pelo rebanho e por cada uma das ovelhas – haja em vista a parábola da ovelha perdida, em que o pastor deixa 99 ovelhas para ir à procura de uma que se perdeu.

A compaixão indivisível pelas suas ovelhas que Jesus mostra na cruz é a fonte daquela paz de que fala São Paulo: “Cristo é de facto a nossa paz”.

A Igreja no seu todo, como promessa visível da humanidade reunida à volta de Deus, e cada cristão nela integrado, haverão de encarar a tarefa da reconciliação e da unidade de todos os homens como prioritária exatamente por isso ser o primeiro sinal da salvação inaugurada por Cristo.

Ora, o programa, o projeto dessa reconciliação e pacificação não é nosso, mas de Deus; isso nunca poderemos esquecer, sob pena de destruirmos em vez de construirmos. Não seremos muitas vezes merecedores das acusações severas do profeta Jeremias?

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Reflexão do 16º Domingo do Tempo Comum – Ano B

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