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Deus quis servir-se dos homens para salvar todos os que acolhem a Sua mensagem e aceitam a salvação oferecida. Ao longo dos tempos, vai escolhendo aqueles que devem anunciar a Sua palavra, tornando-O presente no mundo.

Foi assim que aconteceu com Amós, como ouvimos na primeira leitura. Aos olhos dos homens não seria ele a pessoa mais indicada para falar em nome de Deus ao povo: não possuía nem a sabedoria nem o poder; ”não era profeta nem filho de profeta”, apenas um pastor simples… Mas aceitou a missão, confiando no Senhor, mais do que nos próprios méritos; ele semeia a palavra, mas é Deus quem faz crescer os frutos, é Ele que vai transformando os homens que acolheram a palavra.

Dando continuidade aos Seus desígnios de salvação, Deus enviou o Seu próprio Filho, para que, tornando-se próximo do homem, este pudesse conhecê-l’O e identificar-se com Ele. E Jesus, sabendo que a Sua vida teria uma duração limitada, chamou os doze e enviou-os em missão, como nos conta São Marcos no Evangelho. Quem são estes doze? Homens simples, rudes pescadores que vivem do seu trabalho. Mais uma escolha inesperada, para a grandiosidade da missão que lhes é confiada e parece ultrapassar as capacidades do homem. Jesus pede-lhes que anunciem a Boa Nova que eles próprios ouviram da Sua boca. E já começaram a viver; que preguem a conversão e o arrependimento dos pecados as comunidades que vivem afastadas de Deus, ou nem sequer O conhecem; que tornem presente e visível o Reino de Deus no mundo, combatendo todas as formas de mal, simbolizadas na linguagem judaica do tempo pelos “espírito imundos”. Pobres são os homens escolhidos, como pobres são os meios de que irão servir-se, segundo as recomendações de Jesus. “ordenou-lhes que não levassem nada para o caminho”, diz São Marcos. Nem pão, nem alforge, nem dinheiro, recursos que qualquer viajante acharia indispensáveis; só o cajado e as sandálias, que a viagem é longa e a tarefa difícil. Mas a força da mensagem não vem dos meios usados, antes da confiança e da fé que os põem em comunhão íntima com Jesus. A pobreza dos meios não é impedimento; ao contrário, ela liberta, e Deus precisa de homens livres, que O tenham a Ele como única riqueza.

Hoje somos nós os enviados a anunciar a Boa Nova; somos chamados a viver a mesma pobreza, que liberta; não se trata duma pobreza material, mas do desprendimento de nós próprios, dos nossos erros, de tudo quanto nos “prende” dentro de nós mesmos e nos impede de “sair” ao encontro dos outros. Somos chamados a pregar a conversão, não através de belos discursos, mas de um estilo de vida que testemunhe a nossa conversão permanente. Deus permanece connosco e em nós, a sua força é a nossa força.

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Reflexão do Evangelho do 15º Domingo do Tempo Comum -Ano B

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