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Ruínas da casa de pedra de São João Lostão. Foto: Ednaldo Lins

Em 2017, o Brasil ganhou vários santos, com a canonização de seus Protomártires. Hoje, a fim de incentivar a devoção a estes homens e mulheres que derramaram seu sangue por defender a fé, foi criado no Rio Grande do Norte o “Caminho dos Mártires”, trajeto turístico que busca ensinar história e promover a evangelização. “O turismo religioso tem uma espiritualidade, a fé do povo”, disse o idealizador do projeto, Sidnésio Moura.

Padre André de Soveral, Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e outros 27 companheiros foram mortos em 1645 por holandeses calvinistas que ocupavam então o nordeste do Brasil.

Os invasores queriam obrigar os católicos a se converter ao calvinismo, mas não conseguiram. Então, perpetraram dois massacres. O primeiro ocorreu em 16 de julho de 1645, durante a missa, na capela de Nossa Senhora das Candeias, no engenho de Cunhaú, atual município de Canguaratema (RN). O segundo aconteceu em 3 de outubro, em Uruaçu, hoje parte da cidade de São Gonçalo do Amarante (RN), onde Mateus Moreira teve seu coração arrancado pelas costas enquanto exclamava “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Por meio do “Caminho dos Mártires”, o peregrino conhecerá ainda mais a história desses santos e “vai encontrar fé”, disse à ACIDigital Sidnésio Moura, coordenador do Fórum Nacional de Turismo Religioso. Segundo ele, a inspiração partiu do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Por isso, o peregrino também receberá uma credencial que será carimbada em cada etapa do roteiro e, ao final, ganhará um certificado. “É um caminho de espiritualidade, de encontro com Deus, de oração”, afirmou.

Moura contou que a ideia de criar este caminho surgiu em 2017, ano da canonização dos Protomártires do Brasil, com “o objetivo principal de difundir, motivar, incentivar a devoção aos santos”. Assim, em 2017 e 2018, realizaram algumas visitas aos locais que fazem parte do roteiro. Inicialmente, a proposta era “dar ênfase” aos lugares onde aconteceram os martírios, Cunhaú e Uruaçu.

“Durante essas visitas, fomos descobrindo outras coisas”, disse Sidnésio Moura. Em 2019, intensificaram-se as visitas e descobriram-se em Nísia Floresta (RN) “as ruínas da casa de pedra de São João Lostão, que foi um dos mártires companheiro de Mateus Moreira”.

Além disso, “segundo relatos, padre Ambrósio Francisco Ferro foi o segundo pároco da antiga Catedral de Natal, que hoje é a igrejade Nossa Senhora da Apresentação”, e também foi inserida no roteiro. Durante uma restauração na década 1990, foi achado na igreja um ostensório que o sacerdote escondeu dentro da parede quando os holandeses estavam se aproximando da cidade. Hoje, “esse ostensório precioso, datado do século XVII, sai em algumas celebrações solenes da igreja”.

Sidnésio contou ainda que, durante a invasão holandesa, “as pessoas presas em Natal foram para o forte dos Reis Magos” e, por isso, esse local também faz parte do Caminho. Além disso, incluíram no roteiro a praia de Santa Rita, em Extremoz (RN), onde foi construída uma gruta de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos, e também onde está o Santuário dos Mártires Ciganos. “Como o Caminho é de espiritualidade, nós colocamos esse trajeto dos mártires ciganos”, disse Sidnésio.

Assim, o Caminho dos Mártires é composto por um roteiro de quatro dias, passando por: Canguaratema, onde está a capela de Nossa Senhora das Candeias, no engenho de Cunhaú, primeiro local de martírio; Nísia Floresta, onde se encontram as ruínas da casa de pedra de São João Lostão; Natal, onde o peregrino conhecerá, entre outros locais, a paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, o Santuário dos Santos Mártires, o forte dos Reis Magos, a paróquia Nossa Senhora de Fátima onde está sendo construído uma réplica da capela das aparições de Portugal; Extremoz, onde está a gruta de Santa Sara Kali e ao Santuário dos Mártires Ciganos; e São Gonçalo do Amarantes, onde aconteceu o massacre de Ururaçu e onde há o monumento dos santos mártires.

Com o ‘Caminho dos Mártires, a trajetória sob os passos dos santos’, nome do roteiro do Rio Grande do Norte, “as pessoas vão vivenciar essa trajetória, esse amor dos mártires pela fé católica”, disse.

Segundo Sidnésio Moura, além do turismo religioso, “estamos agregando neste roteiro os demais segmentos do turismo”. Assim, o peregrino “vai encontrar a parte devocional e as belezas naturais de cada região”, bem como a cultura local.

Para mais informações sobre o Caminho dos Mártires, é possível acessar a página no Instagram @caminhodossantosmartiresbrasil.

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Rota turística promove a devoção aos Protomártires do Brasil

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