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HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

“Bendito o que vem em nome do Senhor!”

A Liturgia do Domingo de Ramos abre para nós as portas da vivência espiritual da Semana Santa. Assim, somos convidados a contemplar a atitude de Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade e, tornando-se servo, entregou a própria vida para vencer definitivamente o egoísmo e o pecado. A cruz (aqui colocada iminente aos passos de Jesus) é apresentada como a suprema lição divina. Uma vida que desde a sua concepção foi realizada como dádiva, conclui-se com o caminho que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

Na Primeira Leitura, o profeta Isaías, com o terceiro cântico do Servo de Javé, apresenta-nos um profeta chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a sua Palavra da Salvação. Apesar de todo sofrimento e da perseguição vividos na sua missão, o profeta confiou em Deus e concretizou, com audaciosa fidelidade, os seus projetos. Os primeiros cristãos compreenderam que neste “servo” do antigo testamento foi profetizada a missão do Messias, Jesus Cristo.

São Paulo, na Segunda Leitura, proclama aos filipenses um hino centralizado na “kénosis” de Cristo (Kénosis é o ato de se esvaziar de si mesmo sem perder a própria identidade, para se abrir ao outro e se encontrar no outro).

Na vida e na obediência radical de Jesus, contemplamos a ação de Deus presente na história. Uma presença atuante que, esvaziando-se, não quis ser tratado como Deus, mas como servo.  O Deus que se faz servo-escravo é aquele que quebra a lógica da prepotência e da arrogância e apresenta a humildade e a caridade como caminhos da realização humana.   Ele rejeitou o caminho do orgulho e da arrogância e escolheu a obediência ao Pai por meio do serviço como dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

No Evangelho, somos convidados a contemplar e acompanhar a Paixão e a Morte de Jesus. É o momento supremo de uma vida inteira feita dom e serviço.

Na cruz, é revelado definitivamente o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total para a humanidade. A morte de Jesus deve ser entendida no contexto de toda a sua vida.

Desde cedo, Jesus entendeu que o Pai O chamava a uma missão: anunciar um mundo de justiça, de paz e de amor para toda a humanidade. Para realizar este projeto, Jesus caminhou “fazendo o bem” e anunciando que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores. Sua vida ensinou que os pobres, enfermos e sofredores não deviam ser excluídos, pois não eram amaldiçoados por Deus. Na cruz, vemos surgir o Homem Novo, que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos.

Adentremos corajosamente com Ele em Jerusalém, exaltemo-Lo como “bendito que vem em nome de Deus”,  acompanhemo-Lo no Horto das Oliveiras; na sua vigília, choremos diante de sua dor, auxiliemo-Lo como Simão Cireneu a carregar a Cruz e contemplemos junto com Maria aos pés da cruz o amor de Deus morrendo por nós, para nos oferecer sua Vida e sua Salvação.

Façamos de nossas orações ao longo da Semana Santa uma entrega e intercessão por todos os que sofrem no corpo e na alma em todos os lugares do mundo e em especial por aqueles que sofrem como vítimas da pandemia de Convid-19, mas também permaneçamos convictos de que essa pandemia não irá nos vencer, assim como a morte não venceu Jesus Cristo.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Distrito de Mangabeira.

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O Senhor vem ao nosso encontro com a salvação em suas mãos

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