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 Padre Geovane Saraiva*

Bendito seja Deus, pois Ele nos consola em nossas aflições (cf. 2 Cor 1, 4), as quais muito nos desafiam. Jesus de Nazaré, aquele que em suas atividades salvíficas, frequentemente, se retirava aos lugares reservados para rezar, antes de um procedimento miraculoso, erguia os olhos ao céu num gesto de se voltar ao Pai e implorava suplicantemente em oração. Também ao cair da tarde, “depois de despedir a multidão”, retirava-se, a sós, “à montanha para rezar” (cf. Mt 14, 23; Lc 6, 12).

Portanto, jamais devemos prescindir da sabedoria encarnada de Deus Pai, no Filho Jesus, em sua essência, no sentido mais elevado, com muita lucidez, de alma grande e aberta, ao sonho de justiça, paz e fraternidade. Devemos compreender, viver, perseguir e também não hesitar, neste mundo tão complexo, sem ignorar os sinais da diversidade. Não se pode mesmo dispensar a proposta da instauração do Reino de Deus, nos estigmas da violência e da miséria, da intolerância e do preconceito. Hesitar, sim, para não incorrer na mediocridade, como afirmou Dom Helder: “Das barreiras a romper a que mais custa e a que mais importa é, sem dúvida, a da mediocridade”.

No mundo dos empobrecidos, dos marginalizados, dos esquecidos, percebe-se, em nossos dias, uma acentuada tentativa – mesmo dentro da Igreja hierárquica – de se negar sua ação a partir do Concílio Vaticano II (2962-2965) e final do segundo milênio, quando esta tem se voltado, através do povo de Deus – religiosos e religiosas; padres e bispos –, imbuída do mais elevado espírito profético, como na frase célebre de Dom Aloísio Cardeal Lorscheider: “A Igreja é e deve ser essencialmente comunidade de fé e de luta, construindo laços fraternos de verdade, não apenas agregar multidões e entretê-las”.

Persistência, sim, para que ninguém e nada possa aprisionar o que temos de mais sagrado: o de cultores da liberdade de filhos de Deus, com desempenho evidente, notável e perceptível neste mundo contraditório, além da pregação afinada e harmônica em comunhão com a Igreja Universal, na fé lúcida e na esperança profética, curvando-se no quanto for preciso, dizendo sim à vida como dom e graça. Quero me valer do poeta maior, Fernando Pessoa, que de verdade, em nossos bons propósitos, na vontade de edificar o Reino de Deus, não nos deixou dúvida alguma, porque “nossa alma não é pequena”.

Sendo assim, temos a distância quilométrica de gente da Igreja hierárquica, de “alma apequenada”, nos acentuados equívocos, mesmo aqui no Brasil, com parcos argumentos e fracos conteúdos, de alma e coração minúsculos. Com um elevado grau de arraigado fundamentalismo, terraplanismo e negacionismo, contraria a proposta inclusiva de Jesus de Nazaré, na sua novidade e anúncio maior: o Reino de Deus. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, blogueiro, escritor e integrante da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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Alma pequena, jamais!

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