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“Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

Dom Jeová Elias*
HOMENAGEM À DOM JEOVÁ ELIAS - YouTubeCelebramos neste domingo a Solenidade da Ascensão do Senhor, isto é, o retorno de Jesus ao seio do Pai. Ele que um dia desceu e entrou na nossa história, assumindo a nossa condição humana, agora retorna, de um modo novo, levando consigo e dignificando a nossa humanidade. “Ele, nossa cabeça e princípio, subiu aos céus, não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade” (Prefácio da Ascensão do Senhor, I). Ele vai não para nos abandonar, pois permanece presente na Igreja,povo de Deus, nos seus discípulos missionários, continuadores da sua missão. Neles manifestando a sua misericórdia de modo perene.
O Evangelho desta Solenidade é a conclusão de Marcos. Segundo muitos estudiosos da Bíblia, o texto não pertencia originalmente ao evangelista. A conclusão acolhida por São Marcos apresenta a manifestação de Jesus aos onze discípulos com o pedido imperativo: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”! (Mc 16,15).
O ide, ordenado por Jesus, é exigente: impele a sair de si, a encontrar-se com os outros, a romper as cascas do nosso egoísmo, a deixar de dar volta em torno de si mesmo, pois o mundo é muito maior, como lembrava Dom Hélder Câmara ao falar sobre missão. Não é simplesmente percorrer longos espaços geográficos, mas manifestar o amor ilimitado de Deus a todos os seres.
Qual é a mensagem que Jesus ordena a levar? Ele manda os discípulos anunciarem o Evangelho, palavra de origem grega que significa feliz notícia. Mas essa feliz mensagem não consiste em letras mortas: é a própria pessoa de Jesus Cristo. É Ele que devemos comunicar, não simplesmente com palavras, mas com a nossa vida. Jesus é a melhor notícia que Deus mandou para a humanidade!
O Papa Francisco diz que “todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de anunciá-lo, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível” (Evangelii Gaudium n. 14). Ninguém deve ser excluído da alegria trazida por Jesus (Cf. Evangelii Gaudium n.3). Diz ainda, citando o Documento de Aparecida, que “não podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos, sendo necessário passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (Evangelii Gaudiumn. 15). Sermos uma Igreja em saída é a grande insistência que faz o Papa Francisco. Ele exorta a ir ao encontro das pessoas, a misturar-se e afirmaque isso faz bem. Esse pedido fica comprometido neste tempo de pandemia. Como nos faz falta o contato humano afetivo e caloroso. Mas temos esperança de cumprir essa missão.
A Igreja também celebra neste domingo o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Quero destacar aqui algumas ideias da mensagem do Papa Francisco para este dia, com o título: “‘Vem e verás’ (Jo 1,46). Comunicar, encontrando as pessoas onde e como são”.
A mensagem do Papa, mesmo usando textos de João, está em sintonia com o Evangelho deste domingo. Ele parte do convite dirigido por Filipe a Natanael para ir ao encontro de Jesus. Francisco dirige esse apelo a todos os meios de comunicação: a ir e ver. A sua preocupação é com os meios que nivelam a informação produzida em estúdio, diante dos computadores, sem o contato com a realidade sofrida das pessoas.
Destaca ainda que Jesus também convidou os primeiros discípulos a irem e verem (Jo 1,39). Eles foram, viram, encantaram-se com Jesus e mudaram suas vidas para sempre. O jornalismo requer disposição em ir ao encontro da realidade, aonde ninguém vai. O Papa agradece aos profissionais que correm riscos pela coragem em denunciar a precariedade de vida das minorias perseguidas em diversas regiões do mundo.
O Papa aponta, na sua mensagem, o valor da rapidez da comunicação nas redes sociais, mas ressalta o risco de uma comunicação social não verificável, manipulada, falsa. Ele nos convida a ter discernimento ao receber e difundir uma informação. “Todos estamos chamados a ser testemunhas da verdade: a ir, ver e partilhar”. A difusão do Evangelho ocorre em vista do encontro pessoa a pessoa, coração a coração.
Concluo a reflexão de hoje com a oração do Papa para este Dia Mundial da Comunicação Social: “Senhor, ensinai-nos a sair de nós mesmos, e partir à procura da verdade. Ensinai-nos a ir e ver; ensinai-nos a ouvir, a não cultivar preconceitos, a não tirar conclusões precipitadas. Ensinai-nos a ir aonde não vai ninguém, a reservar tempo para compreender, a prestar atenção ao essencial, a não nos distrairmos com o supérfluo, a distinguir entre a aparência enganadora e a verdade. Concedei-nos a graça de reconhecer as vossas moradas no mundo e a honestidade de contar o que vimos”.
Deixo o meu abraço com o desejo de que, em meio a tantas notícias sofridas, possamos também ouvir algumas notícias esperançosas.
*Bispo do Goiás-GO

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Anunciar o Evangelho a toda criatura

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